@ 2017 by Daniela Ruiz

Azuma Makoto San: punk lover

 

 

“O termo punk não é por enfrentar a força vital das plantas.

Mas sim, por ser motivado por essa força a continuar criando novos tipos de valores e possibilidades”,

explica Makoto San.

 

Durante nossa estadia em Tokyo, tentamos estabelecer conexões com pessoas que admiramos, pessoas que através de sua visão de vida e trabalho poderiam contribuir com a nossa experiência durante a viagem.

 

Foi com essa intenção que aproveitamos para conhecer o laboratório e flower shop do artista floral Azuma Makoto. Nós nos identificamos muito com a estética e o caminho de trabalho deste artista japonês, cujas instalações e projetos apresentam um impacto visual e conceitual imenso, desenvolvendo seu trabalho sem conexão com o senso comum ou com conceitos pré-determinados. 

 

 

 

 

 

                          “Na minha relação com as plantas não há espaco para o ego, mas sim uma necessidade de levar essa relação a um nível mais profundo. Isso significa construir um relacionamento entre eu e as plantas, manter um ciclo de renovação contínua”, completa.

 

 

Situado em um pequeno predinho de três andares no centro de Tóquio, o espaço onde fomos recebidos tem clima de laboratório.

O time de Azuma é composto por aproximadamente 15 pessoas trabalhando entre o escritório e a montagem de arranjos.

 

 

 

 

 

Quem nos recebeu e conversou com a gente foi Eri Narita, chefe de projetos do escritório:


Sobre o estilo de vida nômade contemporâneo, onde não há fronteiras reais para que relações e trabalhos sejam desenvolvidos, como você se movimenta nesse cenário?

As flores são universais, pode se trabalhar com elas em qualquer lugar do planeta, sem bagagem. Você encontra flores em qualquer cidade do mundo!

 

 

Hoje se fala muito sobre ações e iniciativas desenvolvidas no entorno com objetivo de resgatar a essência das relações em comunidade nas cidades. Vocês teriam algum trabalho em andamento nesse sentido? Ou como vocês veem essa questão?
Nós acreditamos que o mundo é o nosso entorno. Com isso, nossas ações são pensadas sem a questão da regionalidade. Mas temos algumas outras ações em andamento. Uma delas é a “Flower Shop Kibou”, em que nós compramos flores no mercado local e distribuímos para as pessoas em determinados lugares do mundo em uma iniciativa que visa despertar o sentimento de esperanças nas pessoas (kibou, em japonês, significa esperança). Essa ação, em estilo pop up, já foi realizada em Fukushima, no Congo e em Kasbah.

 

 

Qual a filosofia por trás do trabalho de vocês com flores?
Acreditamos que o mundo precisa de mais amor e as flores representam o amor. Nosso trabalho é totalmente baseado neste conceito, em trazer amor para a vida das pessoas através das flores. Elas não são coisas ou produtos. São seres vivos que vão morrer em uma semana ou mais, assim como nós humanos também vamos morrer um dia. Temos muitas similaridades com as flores, acreditamos que esse é um dos motivos que faz com que as pessoas gostem tanto delas.

 

A empresa de vocês tem um propósito? E qual seria?
Nosso negócio está baseado no conceito de “heart to heart business” (negócio de coração para coração, em tradução livre), onde o trabalho precisa estar ligado ao sentimento do amor. Nos últimos trinta anos, as pessoas se preocuparam em construir prédios altos e pontes de concreto. Agora precisamos trazer o amor de volta ao nosso dia a dia. Estamos tentando desenvolver nossa própria linguagem e filosofia através do nosso trabalho. Essa foi a maneira que encontramos para expressar nosso sentimento: as vezes através de buquês, outras vezes através de instalações artísticas ou esculturas.

 

 

Como vocês fazem para movimentar todas essas iniciativas mundo afora?
Alguns destes projetos acabam sendo financiados pela nossa empresa de flores e paisagismo. Atendemos clientes e marcas, desenvolvendo vitrines, eventos e pedidos sob encomenda. Também desenvolvemos muitos projetos com parceiros de diversos lugares do mundo.

 

Conte um pouco sobre a performance que vocês criaram para a abertura da Japan
House, em São Paulo?

A Japan House é uma iniciativa do governo japonês em difundir a cultura japonesa mundo afora, mas fugindo do estereótipo das gueixas e samurais. Gostaríamos que o Japão também fosse reconhecido por sua cena artística contemporânea, por seus projetos arquitetônicos modernos e pelas pessoas criativas que somos. Com esse intuito, o governo japonês pediu que nós pensássemos em uma ação para marcar as comemorações de abertura da Japan House em São Paulo. Propusemos uma ação diferente, a “Messenger in a bicycle”, onde vários mensageiros passeavam por São Paulo em suas bicicletas, distribuindo flores para as pessoas pelas ruas.

 

 

 

Como foi o processo de desenvolvimento desta ação?
O processo não foi difícil, pois Azuma já havia visitado São Paulo algumas vezes e conhecia um pouco das características da cidade. Também sabia como o mercado de flores da cidade funciona, o que ajuda bastante. O curador Marcelo Dantas e a equipe local foram ótimos. Contar com pessoas amáveis durante o processo ajudou muito para que o resultado fosse tão positivo. Tivemos muitos feedbacks desta ação, muitas pessoas se interessaram pelo nosso trabalho e elogiaram a performance. Isso é muito gratificante. Os japoneses também ficaram sabendo da performance através do nosso Instagram e ficaram muito surpreendidos

 

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